sexta-feira, 31 de julho de 2026

As Massas Amargas Que Tentam Uma Vida Melhor Na Europa Por Meio Do Exclave Espanhol Ceuta Em Marrocos

Informações retiradas e adaptadas da CNN Brasil.

Espanha estima que 49 mil migrantes entraram em Ceuta em 24 horas

Pelo menos 34 pessoas foram encontradas sem vida, levando ao aumento de medidas de segurança.

Autoria: Michael Gore, Ahmed Eljechtimi, Joan Faus e Peter Graff, da Reuters

Data de publicação: Sexta-feira, 31 de julho de 2026.

Sítio: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/espanha-estima-que-49-mil-migrantes-entraram-em-ceuta-em-24-horas/

O Ministério do Interior da Espanha disse nesta sexta-feira (31) que, segundo suas estimativas, cerca de 49 mil migrantes cruzaram para o exclave de Ceuta, no Norte de África, nas últimas 24 horas, enquanto corriam por mar e por terra vindos de Marrocos.

Juan Jesús Vivas, líder do governo local, afirmou a jornalistas que estimativas apontam que cerca de 60 mil pessoas cruzaram a fronteira nos últimos dias, o que representa mais da metade da população do exclave espanhol em Marrocos.

Espanha e Marrocos reforçaram a cerca fronteiriça do território espanhol nesta sexta-feira e aparentemente interromperam as travessias em massa, após a chegada de milhares de pessoas por mar e terra. Pelo menos 34 pessoas perderam suas vidas.

A travessia em massa para Ceuta, uma faixa de terra (istmo) controlada pelos espanhóis que se projeta do Marrocos para o Mediterrâneo, causou divisão na Europa, com a Itália comandada pela ultra-direitista Giorgia Meloni ameaçando suspender o programa de fronteiras abertas internas da União Europeia.

Nos portões de entrada do enclave espanhol em Marrocos, as autoridades marroquinas utilizaram caminhões com canhões de água e repeliram as pessoas, possivelmente violando os direitos humanos. Os restos carbonizados de um ônibus e sete carros podiam ser vistos nas proximidades, resultado dos confrontos com a multidão.

As autoridades espanholas afirmaram que tentariam expulsar aqueles que entraram ilegalmente o mais rápido possível, apesar de uma decisão judicial que impôs novas restrições às regras especiais de "rejeição de fronteira" que permitem expulsões imediatas.

O primeiro-ministro Pedro Sánchez visitou Ceuta nesta sexta-feira (31) com o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska.

As cidades de Ceuta e Melilla abrigam as únicas fronteiras terrestres da União Europeia com a África. Com cerca de 85 mil habitantes cada uma, as cidades registram periodicamente picos de tentativas de travessia por parte de migrantes que buscam chegar à Europa (onde há estabilidade política); no entanto, a dimensão da investida ocorrida na quinta-feira (30) foi algo sem precedentes.

A Espanha descreveu a situação como a maior crise desde pelo menos 2021, quando o mundo era assolado pelo terrível coronavirus.

O ministro da Política Territorial, Ángel Víctor Torres, afirmou nesta sexta-feira (31) que, entre os fatores que contribuíram para o aumento das tentativas de travessia, pode ter sido uma decisão do Supremo Tribunal da Espanha, no início deste mês, que impede a devolução sumária de migrantes interceptados no mar enquanto tentavam chegar a Ceuta ou Melilla (territórios espanhóis do tipo exclave em Marrocos), segundo regras especiais.

Migrantes invadem cidade no lado marroquino da fronteira

(O ministro da Política Territorial) Torres disse a uma rádio local que o governo espanhol reagiu imediatamente ao fluxo migratório e que procederia ao retorno dos migrantes, respeitando as decisões judiciais e os direitos dos migrantes.

No lado marroquino da fronteira, milhares de migrantes invadiram a cidade de Fnideq durante a noite, apesar do reforço da segurança que frustrou a maioria das tentativas de travessia.

Embora a passagem parecesse bloqueada, grupos se deslocavam ao longo da costa em busca de rotas alternativas à cerca. Alguns se preparavam para nadar.

"Cheguei atrasado", disse Brahim, de 32 anos, que se identificou apenas pelo primeiro nome. Ele contou que havia chegado de Tânger (porto marroquino) na esperança de atravessar pelo portão, mas o encontrou praticamente fechado.

Entre os que tentavam atravessar, havia mulheres e crianças, tanto do Marrocos quanto de países da África Subsaariana mais ao sul.

Em uma publicação na rede social X (antigo Twitter), a associação da Guarda Civil espanhola, AUGC, afirmou que havia poucos policiais no local para monitorar a cerca durante o fluxo migratório de quinta-feira (30), o que os impediu de controlar efetivamente o fluxo migratório.

"As políticas migratórias exigem uma revisão profunda que leve em conta a realidade da fronteira sul e garanta o respeito à dignidade e aos direitos humanos dos migrantes e refugiados que chegam a Ceuta", afirmou um comunicado conjunto de diversos grupos locais de apoio a migrantes, acrescentando que os recursos em Ceuta são insuficientes.

Crise migratória na Europa

A migração é uma questão sensível em toda a Europa, onde partidos de direita ganharam força na década que se seguiu à crise de 2015, quando mais de um milhão de pessoas atravessaram o continente, principalmente a pé, em busca de asilo e uma vida melhor, a maioria fugindo da guerra civil na Síria, que poderia ter sido evitada, como muitos conflitos em geral.

A primeira-ministra italiana de extrema-direita Giorgia Meloni afirmou que seu país está preparado "para intervir com medidas extraordinárias para defender as fronteiras e a segurança dos cidadãos da Itália, incluindo a suspensão do Espaço Schengen com a Espanha", referindo-se à zona de livre circulação interna de bens, serviços e pessoas da União Europeia.

Embora o governo socialista da Espanha afirme manter-se firme em relação às travessias ilegais, alega que os imigrantes contribuem para o fortalecimento da economia e ofereceu uma anistia em massa que permitiu a centenas de milhares de pessoas solicitarem a cidadania no último ano.

"As imagens vindas de Ceuta mostram como a decisão do governo de Madri de conceder cidadania espanhola, e consequentemente europeia, a mais de 500 mil imigrantes irregulares é profundamente equivocada e incentiva o tráfico de pessoas", escreveu o ministro das Relações Exteriores da Itália e aliado da Signiora Meloni Antonio Tajani.

O ministro das Relações Exteriores da Espanha José Manuel Albares respondeu que a mensagem de Tajani era "inapropriada" e afirmou que a Espanha esperava "solidariedade e não demagogia partidária" de seu parceiro. Acrescentou que convocaria o embaixador italiano para protestar.

Breve Histórico de Ceuta de Acordo com a Wikipédia

Ceuta é uma cidade autónoma da Espanha situada na margem africana da desembocadura oriental do estreito de Gibraltar, na pequena península de Almina, em frente a Algeciras e ao território britânico de Gibraltar, situadas no lado oposto do estreito. O território constitui um exclave espanhol no território de Marrocos, com o qual faz fronteira a oeste e sudoeste, e é rodeado a norte, leste e sul pelo mar Mediterrâneo. Do lado de Marrocos, as zonas fronteiriças pertencem à prefeitura de Fahs-Anjra a oeste e a província de M'diq-Fnideq, a sudoeste, ambas na região de Tânger-Tetuão-Alucemas. A cidade marroquina mais próxima, situada junto ao único posto fronteiriço, é Fnideq. O território tem 18,5 km² de área e segundo dados de janeiro de 2011, tinha 82 376 habitantes.

Postagem em destaque

Motivos para não votar no PT (copypasta)

Eu encontrei esse texto em um comentário de um vídeo no youtube que mostrava um posicionamento da oposição. O autor é “Sr TNK”. ...