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terça-feira, 24 de maio de 2022

Organização do Espaço - Verticalização

Procriação de Prédios

Quando posicionei a câmera para fotografar esta imagem, eu pensei: "Puxa! Que paisagem da hora! Ficaria bem legal no trabalho de Geografia."

Os prédios retratados na imagem me provocam uma sensação de que a cidade está crescendo demais e desordenadamente. Isso é bom e ruim ao mesmo tempo.

È bom, porque significa que a cidade está se urbanizando e mais pessoas vão poder morar ou trabalhar nesses edifícios.

E a sensação ruim que me provoca é que, quanto mais prédios são construídos, mais a vegetação é desmatada.

Por isso que eu achei essa paisagem urbana interessante; porque, apesar de todo esse amontoado de prédios, há apenas uma faixa de área verde, na parte inferior.

Outro aspecto que eu achei interessante é a "floresta" de prédios que se formam atrás dos que estão em construção. Isso é um exemplo claro da verticalização.


Matheus Addor

No 21

8o ano F

©2.013

🗿

sexta-feira, 26 de novembro de 2021

Discurso de Ódio nas Redes Sociais

O Ódio que segrega

Redação escrita em 2.019.

Com o advento da Internet, pessoas do mundo inteiro e de todas as faixas etárias, gêneros, etnias e religiões diferentes passaram a estar conectados e a interagir, como se fossem uma “aldeia global”. Marshall McLuhan cunhou, em uma de suas obras, no século XX, o termo “aldeia global”, que significa que o mundo encolheu com o avanço das telecomunicações e das tecnologias, permitindo que as distâncias encurtassem. A “Internet” ainda era um projeto ideal quando McLuhan estudou a Comunicação, porque, naquela época (anos 1960), seu uso era restrito ao Exército, tendo em vista o conflito ideológico da Guerra Fria, que envolveu as potências capitalistas e socialistas.

De certa maneira, a Guerra Fria teve seu fim em 1991, com a dissolução da União Soviética, e a Internet tomou outros rumos, passando a integrar nossa sociedade. De acordo com o depoimento do pesquisador e jornalista inglês James Bartlett para o periódico Exame, a harmonia da Internet com a “aldeia global” de McLuhan “transformaria o nosso ambiente em mais informado, politizado e racional”. A rede social foi uma consequência do advento virtual e milhares de pessoas aderiram à “tendência”, mas a desordem e o caos reinam nesses lugares, onde a opinião é, muitas vezes, anônima.

A partir disso, os usuários que se sentem isentos de leis e normas referentes à Internet, iniciam um processo de “assédio” nas redes sociais, provocado pela disseminação de notícias falsas. Essas “notícias”, como alerta Bartlett, “apresentam conteúdos apelativos e sensacionalistas (...)”, e desvirtuam a ética e a boa conduta em ambientes que deveriam ser, por natureza, civilizados. Portanto, mesmo vivendo em uma “aldeia global”, com distâncias encurtadas, a humanidade distancia-se pela divergência de opiniões e cria bolhas de pensamentos semelhantes, ignorando o livre-arbítrio.


©2.018. Matheus Addor.

quarta-feira, 13 de outubro de 2021

Mensagem para um Dia Melhor – Rádio Nativa – 15/05/15

Muito tempo atrás, um casal de idosos, que não tinha filho, morava em uma casinha humilde de madeira. Tinham uma vida tranqüila, simples, alegre e ambos se amavam muito. Era um amor tão bonito se ver, sabe? Eram tão felizes...

Até que um dia, aconteceu um acidente com aquela Senhora. Ela estava trabalhando em sua casa, quando começou a pegar fogo na cozinha, e a casa era de madeira, fazendo o incêndio se espalhar rapidamente... Foi uma correria. E o pior: as chamas atingiram seu corpo. O esposo, que estava dormindo, acordou assustado com os gritos, e foi à procura de sua mulher, quando ele a vê queimando. Imediatamente, tenta ajudá-la. Mas o fogo também atinge seus braços e, mesmo em chamas, ele consegue apagar aquele fogo todo.

Quando chegaram os bombeiros, já não havia muito da casa. Apenas uma parte. Estava toda destruída aquela casinha tão simples e tão bonitinha de madeira. Levaram rapidamente o casal para o hospital mais próximo, onde foram internados em estado gravíssimo.

Após algum tempo, aquele Senhor, menos atingido pelo fogo, saiu da UTI. E foi ao encontro de sua Amada. Ainda nos seu leito, toda queimada, aquela Senhora pensava em não viver mais. Estava toda deformada, queimou todo o rosto. Chegando ao quarto da Senhora, ela foi logo falando:

“Tudo bem com você, meu Amor?”

“Sim” Respondeu o Senhor. “Pena que o fogo atingiu meus olhos, eu não posso mais enxergar. Mas fique tranqüila, minha querida, sua beleza está gravada no meu coração e na minha memória para sempre!”

Então, triste pelo esposo, a Senhora pensou consigo mesma:

“Olha como Deus é bom! Vendo tudo o que aconteceu a meu marido, tirou-lhe a visão para que não presenciasse essa deformação em meu rosto! As chamas queimaram todo meu rosto e estou parecendo um monstro. Obrigado, Senhor!”

Passado algum tempo, recuperados, voltaram para uma nova casa, onde a Senhora fazia tudo para seu querido amado Esposo. E ele, agradecido por tanto amor, afeto e carinho, todos os dias lhe dizia:

“Como eu te amo, sabe? Você é linda demais! Saiba que você será sempre a Mulher da minha vida!”

E assim viveram por mais vinte anos. Até que aquela Senhora, já velhinha, veio a falecer. No dia do seu enterro, quando todos se despediam da bondosa senhora, veio aquele Marido, com os olhos em lágrimas, sem seus óculos escuros e com a bengala nas mãos. Chegou perto do caixão, beijou o rosto acariciando sua Amada, e disse em tom apaixonado:

“Como você é linda, meu amor! Eu te amo tanto!”

Ouvindo e vendo aquela cena, um amigo, que estava ao seu lado, perguntou:

“O que aconteceu? Você está enxergando? O senhor... É um milagre isso? Parece que o senhor está vendo!”

Aí o velhinho, olhando nos olhos do amigo, apenas falou, com as lágrimas escorrendo em seu rosto:

“Vou te contar uma coisa. É um segredo, mas não fala para ninguém. EU NUNCA ESTIVE CEGO! Eu fingi esse tempo todo! Porque, naquele dia em que eu vi minha amada esposa toda queimada e deformada, sabia que seria duro para ela continuar vivendo daquela maneira. E quer saber? Foram vinte anos vivendo felizes. Muito felizes e apaixonados! Foram os vinte anos mais felizes de toda a minha Vida!



©2015. Rádio Nativa, São Paulo.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Fichamento: "Reinações de Narizinho" (Monteiro Lobato)

 


(LOBATO, Monteiro. Reinações de Narizinho. São Paulo: Círculo do Livro, 1921. 310 p.)

 

Resumo

Descreve o Sítio do Pica-Pau Amarelo. Caracteriza os personagens de acordo com suas qualidades. Utiliza o bom-humor para prender a atenção do leitor. Tendo em vista, a época (anos 1920), é possível observar ideias racistas e sexistas ao longo da obra. Dialoga com personagens de outras histórias, fazendo intertextualidade. Apresenta personagens como o Marquês de Rabicó, o Visconde de Sabugosa, a boneca Emília, o Doutor Caramujo e o Príncipe Escamado. Não conclui a história, deixando espaço para mais aventuras acontecerem. Tem um bom uso de palavras da língua portuguesa, assim como gramática, sintaxe e pontuação. O autor faz paralelo com sua infância no interior de São Paulo na obra.

Palavras-chave: Sítio. Aventuras. Literatura. Infância. Imaginação.

 

Fichamento

Nessa passagem, do capítulo intitulado “Sítio do Pica-Pau amarelo”, o narrador fala da busca de Narizinho por muletas para a boneca Emília, que teve a macela de sua perna entregue ao Tom Mix. Narizinho e Emília encontram um besouro que fora “abusado” por Narizinho no início do livro.

Narizinho foi. Três esquinas adiante encontraram o besouro mendigo, de chapéu na mão à espera de esmolas. A menina já lhe ia oferecendo um pedacinho de bolo quando o mendigo perguntou:

- Não me reconhece mais?

[...]

Pesarosa de sua desgraça, Narizinho pô-lo no bolso, dizendo:

- Fique quietinho aí e divirta-se com esses bolos. Vou levá-lo para o sítio de vovó, onde poderá viver uma vida sossegada sem ser preciso tirar esmolas. (LOBATO, p. 63)

 

Nessa parte, Narizinho e a boneca Emília são convidadas para conhecer o Reino das Abelhas, mas ficam em dúvida se o convite veio das Abelhas ou das Vespas. Assertivamente, elas chegam à colmeia e são recebidas com honra. Narizinho faz um comentário sobre o modo de vida das abelhas.

- Já reparou, Emília, como é bem-arrumado este reino? Uma verdadeira maravilha de ordem, economia e inteligência! Estive no quarto das crianças. Que gracinha! Cada qual no seu berço de cera, com pernas e braços cruzados, todas tão alvas, dormindo aquele sono gostoso... O que admiro é como as abelhas sabem aproveitar de modo que a colmeia funcione como se fosse um relógio. Ah, se no nosso reino também fosse assim... Aqui não há pobres nem ricos. Não se vê um aleijado, um cego, um tuberculoso. Todos trabalham, felizes e contentes. (LOBATO, p. 67-8)

 

Esse capítulo, intitulado “As aventuras do príncipe” (p. 117), conta quando o Príncipe Escamado e sua comitiva visitam o Sítio de Dona Benta, pouco depois do casamento de Lúcia (Narizinho) e Escamado. No excerto abaixo, podemos ver a magnanimidade /humildade /generosidade de Príncipe Escamado quando Dona Benta e Tia Nastácia estavam “com medo” dos convidados do Reino das Águas Claras.

- Nesse caso, prefiro voltar – disse [o príncipe] com dignidade. – Não me julgo com direito de perturbar o sossego duma tão respeitável senhora. (LOBATO, p. 121-2)

 

Nesse capítulo, intitulado “O gato Félix” (p. 145), um suposto gato se diz ser o Gato Félix e reúne o pessoal do Sítio para contar “sua história”. Estão presentes, Tia Nastácia, Dona Benta, Lúcia (Narizinho), Pedrinho, a boneca Emília, o Visconde de Sabugosa (um milho embolorado de cartolinha dentro de uma lata), e o suposto Gato Félix. Na passagem, intencional ou não, Lobato faz uma citação direta ao acidente do Titanic, que aconteceu nos anos 1910.

- Espere. Estava eu comendo o último rato que comi no navio, quando rompeu lá em cima um berreiro. Subi ao tombadilho para ver o que era e encontrei o capitão dizendo que o navio tinha batido numa pedra e ia afundar. (LOBATO, p. 149)

 

No capítulo intitulado “O circo de cavalinhos” (p. 221), Visconde de Sabugosa sofre uma “overdose de conhecimento” e precisa passar por uma cirurgia para remover “manias de ciência” que entalaram em seu estômago. O médico responsável seria o Doutor Caramujo. No excerto, o narrador descreve a “casa” do Visconde de Sabugosa, o que explica por que ele é tão inteligente.

A casa do Visconde era um vão de armário da sala de jantar. Dois grossos volumes do dicionário de Morais formavam as paredes. Servia de mesa um livro de capa de couro chamado “O Banquete”, escrito por um tal Platão que vivia antigamente na Grécia e devia ter sido um grande guloso. A cama era formada por um exemplar da “Enciclopédia do riso e da galhofa”, livro muito antigo e danado para dar sono. Mas desde que o Visconde ficou uma semana inteira atrás da estante e criou bolor pelo corpo inteiro, não era ali que ele dormia, para não sujar o chão com seu pozinho verde; dormia na lata. Outro “móveis” – armarinhos, cadeiras, estantes, também eram formados dos livros de capa de couro que Dona Benta havia herdado de seu tio, o Cônego Agapito Encerrabodes de Oliveira. Era naquela casinha que o Visconde passava a maior parte do tempo, lendo, lendo que não acabava mais – e tanto leu que empanturrou. (LOBATO, p. 223)

 

No capítulo intitulado “Pena de papagaio” (p. 247), um garoto invisível com uma pena de papagaio os leva para o “mundo das maravilhas” para conhecerem os fabulistas La Fontaine e Esopo. La Fontaine explica o modo de vida das formigas.

– Não param nunca, sempre ocupadas nos trabalhos caseiros – prosseguiu. – Cortam folhas, picam-nas em pedacinhos e guardam-nas em perfeitos celeiros para que fermentem. Nessas folhas um cogumelozinho se desenvolve, com o qual se alimentam. São insetos de alta inteligência. A muitos respeitos a formiga está mais adiantada que nós, homens. Há mais ordem e governo na sociedade delas. São mais felizes. (LOBATO, p. 262)

 

Logo, Lúcia (Narizinho), Pedrinho e a boneca Emília encontram o fabulista grego Esopo, que diz “palavras de sabedoria”. Esopo fica muito admirado quando descobre que a boneca Emília é falante.

O grego sorriu com malícia.

– Nós, sábios, também não fazemos outra coisa. – disse ele. – Mas como dizemos nossas tolices com arte, o mundo se ilude e as julga alta sabedoria. Vamos bonequinha, diga uma tolice para o velho Esopo ver. (LOBATO, p. 267)

 

Resenha crítica

A obra “Reinações de Narizinho”, de Monteiro Lobato, é um excelente livro para jovens leitores e leitores mais maduros. Não existe idade para leitura. Lobato é um grande escritor da literatura brasileira, sendo um dos principais autores do movimento Pré-Modernista, junto de Euclides da Cunha, Lima Barreto e Augusto dos Anjos.

O livro me lembrou de outros livros infanto-juvenis publicados nos séculos XVIII e XX, como o Barão de Munchausen (de Rudolf Erich Raspe, citado pelo próprio Lobato), Gulliver (Jonathan Swift), Gente e Bichos (Érico Veríssimo), e outros. Pode-se dizer que, como autor infanto-juvenil, Monteiro Lobato é um Ás.

sábado, 25 de abril de 2020

[Opinião] Quebrando o ciclo #BreakTheCycleChallenge


Quem acompanha este blogue regularmente, sabe que eu não costumo escrever palavras de calão (palavrões). E, quando é para escrever, eu censuro, trocando por outra palavra de mesmo significado ou colocando asteriscos.
Eu não faço isso por questões religiosas ou puritanas, mas pelo moral dos leitores e do auditório. Muitas pessoas veem o palavrão como uma válvula de escape para situações do cotidiano, como uma discussão no trânsito ou frustrações.
Na minha família, a dona e o dono da casa são campeões em falar palavrões. Com o tempo, eu passei a filtrar o palavreado.
No presente momento, eu estou redigindo este artigo durante o período de lockdown daquele vírus. Eu e minha família estamos fazendo coisas que não costumávamos fazer antes disso tudo começar, então, é normal que a dona da casa fale mais palavrões que de costume (em especial a palavra com C).
Fiquei pensando que, por parte da família da dona da casa, todos têm o costume de falar palavras de calão, com algumas exceções, como eu e meu primo. Por parte da família do dono da casa, uma quantidade considerável também tem esse comportamento (alguns bebem muito, e o alcoolismo influencia nisso).
Não é só na minha família que o palavreado corre solto por aí. Muitas outras famílias, no Brasil e no Mundo, sofrem com esse “problema”. A “solução” para o caso não está nas gerações mais velhas, essas daí já estão perdidas, porque o costume já foi inserido em seu “modus operandi”. A resposta, caro leitor, está nas novas gerações. Os jovens serão responsáveis por quebrar esse “ciclo vicioso”, simplesmente filtrando o que eles escutam dos mais velhos.
Com essa atitude, caminharemos para um mundo mais pacífico, onde o que importa será a qualidade do que é comunicado, sem precisar usar palavras feias. Sejamos sinceros, você leu até aqui, sem eu nem precisar escrever um único palavrão! Eu não quero um mundo “family-friendly”, mas um mundo com menos palavreados seria o ideal.

A empresa de alimentos Kraft fez uma campanha publicitária para o Dia das Mães há alguns anos que ilustra o meu ponto de vista.



domingo, 7 de julho de 2019

A Música do Século


Amadeo Tadeo Steinbeck nasceu em 1826, no município de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro. Ele era filho de um negro alforriado com uma pastora de camelos, e tornou-se um dos músicos mais conhecidos da história do Brasil.
Sua trajetória começa quando um de seus colegas de escola primária, Emanuel, filho do conde de Índigo, o convida, depois de gente grande, para estudar na Academia de Belas Artes de Paris. Emanuel desde cedo percebera que Amadeo Tadeo nascera para a poesia e, mais tarde, para a música.
Apesar de mulato, sua recepção na gloriosa cidade de Paris foi calorosa. Todos aclamavam Amadeo Tadeo como se fosse um nobre cavalheiro, apenas por ser amigo de Emanuel.
Certa tarde, depois de caminhar às margens do rio Seine, Amadeo Tadeo entrou em um bistrô para degustar um croix-Saint aux chocolat. De repente, algo lhe veio à mente. Amadeo Tadeo pegou um guardanapo para rabiscar suas ideias. Assim, ele poderia debruçar-se em sua mesa na kitchenette, que ele dividia com Emanuel, e outros dois estudantes de Belas Artes, François e Nicolas.
Nas duas semanas seguintes, Amadeo Tadeo não dormiu e comeu pouco, trabalhando em sua obra que seria conhecida como a poesia do século, musicada cento e cinquenta anos mais tarde, em 2006, pelo grupo Os Sulfúricos. Emanuel preocupou-se ao ver Amadeo Tadeo sem cuidar de sua higiene básica, mas ele lembrou-se que estava em Paris e ficou tudo bem.
Em algum dia de maio de 1856, Amadeo Tadeo saiu de seu quartinho empoeirado com um manuscrito: a Poesia do século!
Amadeo Tadeo gastou sua pequena fortuna de 30 francos para publicar sua Poesia na Gazette Française. De início, a recepção parisiense não foi muito boa (aqueles frescos!), mas, meio século depois de sua morte, as coisas mudariam.
Amadeo Tadeo, vendo que sua Opera Magna não obteve o sucesso esperado, entrou no mundo do alcoolismo e começou a cometer pequenos delitos, sendo que, em um deles, o Poeta assaltou um dos netos do rei Luís Felipe I, levando-o ao cárcere. Depois de uma série de julgamentos, Amadeo Tadeo foi deportado para o Brasil e lá passou a viver na Rua da Amargura, acompanhado de bebidas alcoólicas muito fortes.
Uma de suas paixões após a deportação chamava-se Maria Antônia de La Mare. Mulata, de seios fartos, ela era natural da Ilha do Governador e, além disso, não dava chance para Amadeo Tadeo. Maria Antônia de La Mare preferia os ricaços do Botafogo.
Sendo assim, Amadeo Tadeo contentava-se com as prostitutas de luxo que ele pagava com a remuneração de suas crônicas semanais na Gazeta Fluminense.
Foi desse modo que o grande Gênio da Poesia e Literatura brasileira passou seus últimos anos. Em 1899, Amadeo Tadeo foi encontrado morto abraçado a uma garrafa de bebida alcoólica forte, vítima de cirrose pancreática hormonal.
Em seu testamento, apesar de não ter posses, deixou claro que sua Poesia deveria ser lembrada como patrimônio cultural. O General Floriano Peixoto chegou a erguer um busto no Palácio de São Cristóvão em tributo a Amadeo Tadeo, mas a estátua sumiu misteriosamente quando Washington Luís deixou o cargo da presidência.
Em 2006, estudantes da escola Amadeo Tadeo Steinbeck, em Niterói, encontraram um artigo da Gazette Française relatando o fracasso da obra prima de Amadeo Tadeo. Esses estudantes tinham uma banda, e eles resolveram reunir-se na garagem de um deles para musicar a Poesia.
A banda chamar-se-ia Os Sulfúricos. A música produzida ficou anos nas paradas do Brasil. Ninguém falava de outra coisa a não ser a Poesia de Amadeo Tadeo Steinbeck.
A Poesia de Amadeo Tadeo tratava de um fidalgo que queria muito dar uma festa. Ele convidou todos os nobres de seu convívio social (marqueses, condes, duques, viscondes, barões etc.) para varar a madrugada. Todos que ele convidou compareceram. Para comer, o fidalgo preparou um manjar de acerola com avelã. Os presentes que provaram a sobremesa tiveram mal-estar, e passaram o resto da festa no banheiro.
Um dos exemplos que Amadeo Tadeo dá é o de uma duquesa (Joanne de Seville) que mal podia se mexer, por causa das cólicas gastrointestinais. Outro caso foi do barão Léon de Orléans, que entupiu a fossa séptica, e foi preciso cavar outra. Antoine Piaget, um coletor de impostos, expulsou o barão León do “banheiro” para poder usá-lo. Foi um festival de horrores. Não há dúvidas de por que a pudica sociedade francesa do século XIX não gostara da Poesia de Amadeo Tadeo.
A música de Os Sulfúricos, no entanto, deu luz à ideia magna de Amadeo Tadeo, e, se o Grande Poeta estivesse vivo hoje, com certeza ele seria recebido com muitos aplausos!

sexta-feira, 14 de junho de 2019

A pegadinha






Este texto foi concebido primariamente como uma Comissão Parlamentar de Inquérito.

Uma amizade improvável se formara, há muitos anos, no município de São José dos Pinhais, no Paraná.
Tomás e Geraldo se conheceram na delegacia. Tomás tinha 20 anos e Geraldo, seis anos mais moço, tinha 14.
O crime de Tomás foi ter colado um adesivo com dizeres políticos (retirado da lixeira) em local público, e Geraldo havia quebrado os dedinhos da filha do diretor do colégio na dobradiça da porta do banheiro, enquanto brincava de esconde-esconde. Os dois estavam passando a noite na delegacia; Tomás fora detido por vandalismo e Geraldo por violência. Nenhum dos dois era reincidente e nenhum deles voltou para prisão.
Mas foi lá que eles se conheceram e se tornaram melhores amigos.
Atualmente, Geraldo tem 63 anos, é graduado em teologia, tem especialização em filosofia e leciona catequese na igreja de São José dos Pinhais. Tomás, de 69 anos, fez faculdade de medicina veterinária, especializou-se em biologia marinha e cuida de Mandíbula, o primeiro tubarão branco nascido e criado no Brasil, no aquário do município.
Todas as sextas-feiras, Geraldo e Tomás encontram-se no restaurante próximo a delegacia onde eles se conheceram.
Certa noite, Geraldo enviou um correio eletrônico (e-mail) para Tomás.

Tomás, eu estou muito desgostoso com a situação política atual do Brasil. Nós somos amigos de longa data e, que Deus perdoe meu sacrilégio, nosso tempo na Terra está passando.
Eu estive pensando em fazer uma travessura, daquelas que fazíamos nos tempos da juventude.
O que acha da ideia, companheiro?
Abraços do velho.

Tomás leu o correio eletrônico e respondeu:

Geraldo, eu apoio sua ideia. Conte-me mais, por favor.
Abraços do outro velho.

Geraldo disse:

Tomás, a molecagem é a seguinte: primeiro, nós compraremos roupas inteiramente pretas e gorros e luvas, também pretos. Também compraremos tinta em spray.
Eu consegui uma cópia da placa do carro do governador do Paraná, Ratinho Júnior.
O plano: durante a calada da noite, enquanto todos os mortais estiverem dormindo, nós vamos dirigir até Curitiba com a placa do Júnior acoplada, para fazer uma visita à penitenciária onde o ex-presidente Donnerstag está detido.
Vamos estacionar o carro bem em frente a uma câmera de segurança e vamos escrever, com o spray, no muro: RADEMAKER CARA DE MELÃO e VAI PLANTAR CANA, DONNERSTAG. Com isso, vamos testar a eficácia da Justiça brasileira. Será que a Lei é para todos?
Abraços do velho.

Tomás escreveu de volta:

Eu gostei da ideia, irmão. Vamos ver no que vai dar essa história!
Abraços do outro velho.

Paulo Donnerstag era um ex-presidente que se encontrava em detenção na penitenciária de Curitiba. Ele havia sido acusado de ter comprado um sobrado em Maresias e um sítio em Araxá, com dinheiro público, em nome de sua esposa, Maristela Donnerstag.
Hermann Rademaker era o presidente em vigência do Brasil. Ele era militar, pertencente à patente de General reformado do exército. Seu vice, Gordon Zweite, era Capitão da Infantaria.

Era meia noite quando Geraldo passou na casa de Tomás para buscá-lo. Os dois amigos vestiam roupas pretas e Tomás segurava uma sacola de lona.
“O que tem na sacola?”, perguntou Geraldo.
“Tudo conforme o planejado. As latas de tinta em spray e duas lanternas.”
E assim o automóvel de Geraldo, com a placa do carro do governador do Paraná, partiu rumo à Curitiba.
Geraldo estacionou o carro na parte de trás da penitenciária, deixando a placa visível para as câmeras de vigilância. Os dois senhores desembarcaram com as lanternas e as latas de tinta em spray.
“Eu escrevo a frase do Rademaker e você escreve a frase do Donnerstag, para ganharmos tempo. Não se esqueça das letras garrafais!”, sugeriu Geraldo.
Os guardas da penitenciária estavam dispersos. Alguns dormiam, outros jogavam UNO, e outros fumavam substâncias ilícitas. Nenhum deles percebeu a presença dos “provocadores sexagenários de balbúrdia”, que ameaçavam a ordem naquela noite tão serena.
“Eu me sinto como jovem de novo!”, sussurrou Tomás, enquanto ele pichava.
Tomás e Geraldo picharam o muro e passaram a noite inteira rindo do que eles fizeram. Aquela noite fora inesquecível.

No dia seguinte, os guardas do turno diurno da penitenciária de Curitiba levaram um tremendo susto ao chegar ao posto de trabalho. Estava escrito, em letras garrafais, “Rademaker cara de melão” e “Vai plantar cana, Donnerstag” no muro da edificação.
Quem poderia ter feito aquilo? Foi o que os guardas se perguntaram.
Massimo, um dos responsáveis pela vigilância, considerou olhar as gravações das câmeras de segurança.
Na noite anterior, um carro estacionara. Massimo aproximou a imagem para visualizar a placa do carro. Era idêntica a de Ratinho Júnior, o governador do Estado! Aquilo não fazia sentido...
Não demorou muito para que a mídia chegasse para fazer a cobertura.
Muro da penitenciária de Donnerstag foi pichado!
‘Rademaker cara de melão’ e ‘Vai plantar cana, Donnerstag’ são as frases encontradas na manhã de hoje!
O que Donnerstag acha disso?
Donnerstag: ‘Nunca fui tão desrespeitado! Este país nunca foi tão desrespeitado! Moro e Dalagnol são meus inimigos!’
O que Rademaker acha disso?
Rademeker: ‘Concordo. ’

Geraldo e Tomás racharam o bico ao ver o noticiário. Não demoraria muito até o caso chegar até Brasília. Eles só não contavam com uma coisa: o álibi do Júnior.
“Onde você estava na noite de ontem, Ratinho Júnior?”, perguntou o delegado.
“Em casa! Dormindo!”
“Você pode provar?”
“Minha esposa, meus filhos e a cozinheira estavam em casa. Pode perguntá-los.”
“Eu acredito em você. Mas eu quero que você saiba que alguém queria queimar seu filme. Não só o seu filme como o da política brasileira, também!”
O caso, por ter envolvido o ex-presidente, e o presidente da República em exercício, foi parar no Ministério Público Federal, em Brasília.
Os procuradores, desembargadores e burocratas estudaram cada detalhe da investigação e chegaram a um consenso: o carro. O governador do Paraná não dirigiria um carro daqueles. O Ministério Público enviou um mandado judicial para a concessionária de carros perguntando quem comprara um de seus modelos do ano 2006.
Eles conseguiram então o nome de Valério, filho de Geraldo, que tinha sido o fiador do pai. Valério morava no município de Limeira, em São Paulo.
Polícia Federal! Abra a porta ou será preso! É a Lei.”, gritou a Polícia ao chegar ao cantinho de Valério.
Valério tinha saído para comprar jornal. Sua esposa abrira a porta.
“Meu marido não está. Ele volta em alguns minutos.”
Alguns minutos depois, Valério chegou. A Polícia Federal encostou o sujeito na parede.
Você está muito encrencado, bagunceiro!”, rugiu a Polícia.
“Se você me disser o que está errado, talvez possamos chegar a uma conclusão pacificamente.”
“Você não lê o jornal? Não vê o noticiário? A penitenciária onde Donnerstag está detido foi pichada!”
“Eu sei disso. Mas não fui eu.”
“Explique-se melhor! Seu carro estava lá!”, disse o oficial, mostrando a foto do carro comprado em 2006.
“Eu não dirijo esse carro! Eu fui o fiador do meu pai. É ele quem dirige.”
O oficial pareceu envergonhado.
“Onde mora seu pai? Eu acho que ele é o culpado por essa confusão...”, gaguejou o oficial.
“Ele é de São José dos Pinhais. Fica no Paraná. Acompanhe-me e eu lhe darei o endereço dele.”

Tomás e Geraldo estavam sentados no sofá rindo da traquinagem que eles mesmos arquitetaram. Era como se eles fossem moleques, novamente. Alguém bateu à porta:
Polícia Federal! Abra a porta ou eu arrombarei!”
Tomás para Geraldo, murmurando: “Danou-se! Ferrou muito! É o fim! Fomos descobertos!”.
“Acalme-se, Tomás. Eu planejei tudo isso. No meu quarto, tem uma escotilha embaixo do tapete. Esconda-se lá.”
“Você não vai junto?”
“Não. O plano foi meu, eu arco com as consequências.”
“Então eu também não vou fugir à luta, Geraldo! Nós somos amigos até o fim, lembra?”, sorriu Tomás.
“Até o fim...”
Abra a porta, Geraldo!”
Geraldo caminhou lentamente até a porta e abriu-a.
“Geraldo Angra e Tomás dos Reis! Vocês estão presos em nome da Lei por vandalismo e falsa identidade.”
Geraldo e Tomás levantaram as mãos, culpados. Uma temporada na detenção faria bem aos dois.

Na cela da delegacia, Geraldo disse para Tomás:
“Eu tenho um plano...”
“Vai começar de novo!”
“Dessa vez será diferente! Você vai ver só.”
“Manda!”, animou-se Tomás.
“É o seguinte, assim que nós sairmos daqui, nós voltaremos para Curitiba. Eu me disfarçarei de cozinheiro para colocar um alucinógeno na comida do Donnerstag. É um plano que exige muita habilidade, por isso, eu preciso que você preste bastante atenção.”
Tomás e Geraldo passaram o resto da noite conversando sobre assuntos frívolos e pueris, adormecendo no chão frio da delegacia de São José dos Pinhais, onde eles se conheceram pela primeira vez.
Quanto ao muro pichado, foram tomadas as devidas providências. Um mutirão de pessoas, que apoiavam tanto o General Rademaker, quanto o presidiário Donnerstag, juntou-se na “praça do presídio”, em Curitiba, para limpar a bagunça.
E todos viveram felizes para sempre.
Fim.

Postagem em destaque

Motivos para não votar no PT (copypasta)

Eu encontrei esse texto em um comentário de um vídeo no youtube que mostrava um posicionamento da oposição. O autor é “Sr TNK”. ...